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Pedagogia Criativa

Como ensinar leitura na Cybercultura?

 

Vivemos em um mundo hiperconectado, repleto de linguagens híbridas que nos chegam por meio de diversos suportes presenciais e virtuais. Já parou para pensar quantos meios de comunicação você utiliza no seu dia a dia?

 

Na atualidade é imensurável o número de informações que recebemos. Basta fazermos um teste e deixar o celular desligado por uma hora, ou então deixar de abrir a caixa de entrada do seu e-mail por um dia. É de assustar a quantidade de mensagens que recebemos cotidianamente, não é mesmo? E se forem analisadas com mais cautela, quantas destas mensagens são realmente importantes?

 

Inicio o texto com estas reflexões já para introduzir o leitor ou a leitora a uma leitura crítica do texto e da realidade. O perigo da leitura rápida e rasa perante tantas informações é constante. E quem já não caiu na armadilha de reproduzir informações equivocadas?

 

O ato de ler não é simplesmente um processo de decodificação, é preciso ir além desta simples tradução. É necessário saber sobre quem escreve, onde escreve, porque fala de determinado assunto e de outros não e como expõe o que pensa. Quais as referências, quais as bases e fontes de pesquisa. Ou seja, é imprescindível fazer uma leitura crítica do mundo.

 

Como educadora e estudante/pesquisadora dos temas Educação Social e Tecnologias na Educação tenho um “relacionamento sério” com o compromisso de ensinar sobre essa leitura crítica do mundo, principalmente nessa era digital que acelera nossa comunicação e que faz com que o conhecimento e os acontecimentos viralizem, se tornem públicos, em poucos segundos.

 

E o compromisso de ensinar sobre a leitura crítica de qualquer que seja o texto, independente do suporte em que está inserido, exige de nós, educadores e educadoras, nada mais, nada menos, do que muitas leituras e estudos sobre esse assunto. E é claro que uma boa dose de criatividade!

 

A maioria das pessoas gosta de se comunicar, não é mesmo? Seja de forma oral, escrita, por meio de vídeo ou áudio, texto impresso ou digital.

 

Quando nos deparamos com as diversas mensagens que recebemos ou que buscamos, o processo da comunicação já havia se iniciado. As narrativas são quase que uma continuidade histórica, social e cultural das pessoas.  Penso, por exemplo, em minha avó que conta suas experiências em narrativas ricas de detalhes de sua vivência de infância no campo. Mas as narrativas também são uma interpretação da própria realidade. 

 

Em um determinado acontecimento que participam duas ou mais pessoas, certamente cada pessoa dará seu tom ao acontecido, dando ênfase a diferentes detalhes da situação. Esta poderia ser uma introdução para dar um “start” a várias atividades com crianças e adolescentes para que percebam que, se existem múltiplas formas de descrever o mundo, há que se ter cautela no exercício de lê-lo.

 

Para aprofundar as reflexões sobre esse “mundo editado”, recomendo a leitura do texto da professora Maria Aparecida Baccega, “Comunicação/Educação: Linguagem e História”, descrito nas referências. Ele discute como se dá a construção dos discursos em um mundo com informações selecionadas, editadas e pré-interpretadas.

 

Para compreender o processo de comunicação no cyberespaço recomendo os escritos de Lúcia Santaella, que também estão descritos nas referências. 

 

Veja que interessante:

Para Santaella (2004), existem três tipos de leitores: o leitor da era pré-industrial, que realiza uma leitura mais solitária, o leitor dinâmico, que utiliza linguagens híbridas e em diversos meios e o leitor imersivo/virtual, que é aquele que navega nos nós, de forma multilinear. Isso não significa que hoje só temos um perfil de leitor, porque todos estes podem existir simultaneamente.

 

Este pressuposto nos coloca um desafio enquanto educadores, de prepararmos nossas estratégias pedagógicas de forma a garantir que os educandos experienciem estes diversos estilos de leitura, em diferentes suportes. E, ainda, despertar a motivação para que se leia criticamente o mundo e que se interessem em construir suas próprias formas de expressão.

 

Que tal então utilizar a Educomunicação, como estratégia educativa? Com uma boa mediação que garanta a participação, livre expressão, criatividade e co-criação é possível aprender, ler, interpretar e descrever o mundo de uma forma mais consciente. Experimente!

 

Referências:

 

BACCEGA, M.A. Da comunicação à comunicação/educação. Comunicação & Educação, São Paulo, n. 21, p. 7-16, maio/ago. 2001

 

SANTAELLA, Lucia. Matrizes da linguagem e pensamento. São Paulo. Editora Iluminuras, 2005

 

_________, Navegar no ciberespaço: O perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Editora Paulus, 2004

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January 26, 2018

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